O ser humano é fantástico! E em todos os sentidos! Fisicamente, nosso corpo, pode ser capaz de agüentar situações extremas, traumas e pancadas que outros seres vivos não agüentam, mas que uma simples e nanoscópica bactéria ou vírus pode derrubar em questão de horas. Comportamentalmente somos os seres mais complexos de todos, devido a nossa capacidade de armazenar informações de uma vida que, junto com nossa capacidade de tomar decisões, fazem de cada um de nós pessoas diferentes entre si, mesmo pertencendo a um mesmo grupo, escola ou trabalho. E tanto física como comportamental somos ambíguos. Somos fortes e inteligentes, mas os menores serem nos derrubam, e normalmente tomamos decisões que não seriam as que realmente gostaríamos de tomar. Tomamos muitas decisões baseadas na nossa percepção de como os outros irão nos julgar. Cada um de nós possui experiências e histórias de vida que nos municia a tomar decisões baseadas apenas em nós mesmos! Isso seria correto. Mas o ponto central do post não é exatamente tentar ser um psicólogo (que realmente não sou) e explicar a psique humana, mas sim mostrar que tudo que vemos e ouvimos por ai não é necessariamente o melhor do brasileiro! Situações impares, e que não damos conta no momento em que escutamos, de que se trata de uma clara divergência de opiniões. Serei mais explicativo contanto duas entrevistas que assisti recentemente. A primeira foi no programa da Fernanda Young, exibido na GNT, que ela entrevistava o Caco Barcelos, jornalista e repórter. No programa eles entraram no assunto sobre a ida do Caco Barcelos ao Haiti e ele relatava sua experiência de estar em um país devastado. Durante o papo ele falou de um fato que chamou a atenção, uma situação lamentável, que eram os soldados haitianos cobrando propina para liberar os caminhões que chegavam com ajuda humanitária, com comida, água e roupas. Oras, penso, se os próprios soldados responsáveis por ajudar a reconstruir o país estão dando um “jeitinho” de ganhar o seu extra, porque devemos condenar os comerciantes locais que em momentos de catástrofes cobram mais caro por suprimentos básicos?! E o paralelo que eles traçaram durante a entrevista dos soldados haitianos com o povo brasileiro foi surpreendente, pois nós, avaliando o caso do Haiti e de seus soldados, muitas vezes nos sentimos mal, mas não é novidade que todos nós tentamos nos beneficiar de situações que para alguns pode ser negativa. Temos em nossa cultura o “quando um ganha o outro perde”! Eles ainda deram um exemplo de um individuo que vai ao médico e ao se dirigir ao “caixa” e solicitar um desconto no preço da consulta, a secretária normalmente lhe indaga: “mas o Sr. quer nota fiscal ou não precisa?” E sem nota sempre tem um descontinho! E como podemos reclamar de situações que envolvem roubo de dinheiro público, desvio de verba, superfaturamento se, no básico, que é solicitar a nota fiscal nós, consumidores, abrimos mão por um desconto maior!? E opinião minha, acredito que se todos nós cobrarmos nossas notas fiscais, pagarmos o que é certo (longe de ser justo o que pagamos), os impostos e taxas, sem nem ao menos procurar notas fiscais para abater no I.R., nossas tarifas e encargos seriam menores. Mas mesmo que não fossem menores, ao menos teríamos armas para bater de frente com os legisladores, e com a consciência limpa.
O outro exemplo vem da televisão também, mas agora o jornalista e sociólogo Juca Kfouri, em seu programa “Juca Entrevista”, exibido pela ESPN, entrevistando o advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que tem a vida profissional muito ligada com a história do São Paulo Futebol Clube e órgãos que regem o futebol no Brasil. Na entrevista eles falavam do rumo que os clubes têm seguido com relação a sua direção. Recentemente clubes como o Vasco, Santos, Corinthians, entre outros, trocaram seus presidentes que já estavam enraizados nos seus cargos. Aprofundando o assunto comentaram sobre a CBF e a FIFA, para nós brasileiros os dois órgãos mais importantes do futebol. A CBF tem seu presidente a mais de 20 anos, e a FIFA a 12 anos. O ponto do debate foi traçando um paralelo entre o esporte mais popular do mundo e nosso sistema de governo. E ai vai mais um pouco de opinião: Como nós podemos achar um absurdo o que fazem na China e em Cuba se um dos maiores exemplos, que seria uma vitrine para a democracia, o futebol, é gerido com mãos de aço, numa total apologia a ditadura?! E por que tantos políticos tupiniquins falam em mudança, mas que na hora do apoio se abraçam com dirigentes que apóiam o continuísmo em tais instituições!? Confesso que passei a gostar menos do futebol!
Diminuir essa divergência entre o que se fala e o que se faz é o que acredito ser a ponte entre um mundo realmente confiável e o que temos hoje. Não podemos realmente acreditar em posições tomadas por pessoas, por mais próximas que elas são, sem antes conhece-las realmente. Resgato do ultimo post o que falei sobre disciplina, que para estes casos prefiro defini-la como “a capacidade do ser humano de fazer o que é certo sem que ninguém esteja olhando!”, ou ainda, precisamos ter mais atitudes que realmente reflitam o nosso pensamento, independente da maneira que terceiros julgarão nossas opiniões e atitudes. Falar o que pensa e fazer a mesma coisa. Isso sim é disciplina e convergência!
Nenhum comentário:
Postar um comentário